quarta-feira, 23 de abril de 2014

SALVE JORGE, SALVE OGUM, IGREJAS E TERREIROS EM UMA FESTA VIRTUAL

Santo Forte, Glorioso São Jorge livrai-nos de todo o Mal livrai-nos do Dragão da maldade
 Santo Guerreiro, Invencível
No dia 23 de abril milhares de fiéis vêm reverenciar São Jorge, Ogum na Umbanda e no Candomblé, nas Igrejas e Terreiros em festa.  Pedidos são feitos, promessas são cumpridas, lágrimas de agradecimento e de emoção, vindas do fundo do coração. Jorge/Ogum é o Santo Forte. Este ano de 2020 as homenagens ao Santo Forte serão feitas em suas casas, dentro do coração de cada um.
Santo forte, protetor dos fiéis que usam sua oração como escudo protetor.
"Eu andarei vestido e armado com vossas armas para que meus inimigos tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me enxerguem, tendo armas não irão me ferir, e nem pensamentos que possam ter para me fazer mal" Trecho da Oração

SALVE JORGE, SALVE OGUM "Quem vence batalha é São Jorge, Quem vence demanda é Ogum...."

quarta-feira, 9 de abril de 2014

NO TEMPO DAS DISCOTECAS

OS EMBALOS DE SÁBADO À NOITE 
atualizado em 06/05/2023
A Era Disco está voltando com o "Frenetic Dancing Days", Gloria Gaynor, Donna Summer e outras divas que fizeram ferver as noites sem fim estão de novo nas pistas.  A TV Globo lançou há tempos atrás a novela Boogie Woogie em homenagem ao Tempo das Discotecas, talvez um meio remake de Dancin Days. Os anos setenta foram a época de ouro das boates cariocas. A noite fervilhava no Regine's, no Hippopotamo e no New Jirau. Tudo começou na New York City Discotheque em Ipanema comandada por um antigo combatente da Guerra do Vietnã Carlos Wattimo. A New York teve vida curta, e as noitadas ficavam até a manhã no circuito Leme, Copacabana Ipanema, comandadas por Régine Schoukroum, Sergio Cavalcanti e Ricardo Amaral. Eram noites de festa.
New Jirau photo by Alcyr Cavalcanti all rights reserved
Havia muita repressão nos anos de chumbo, era preciso extravasar exorcizar os fantasmas, ninguém aguentava mais. Nada melhor do que dançar para não 'dançar".A Era Disco ditava a moda, desde os "Embalos do Sábado à Noite" de John Travolta protagonista do filme de John Badham com a trilha sonora dos Bee Gees que levou milhões de jovens a fazer o estilo Tony Manero imortalizado pelo ator. Calças justas para homem, meias coloridas em sandálias altas eram a febre entre as mulheres, que dançavam nas pistas ao som de Donna Summer a rainha da Disco Music. Políticos, socialites, craques de futebol,banqueiros de bicho, artistas internacionais,candidatas a celebridades batiam ponto no eixo Leme, Copacabana Ipanema. O Rio fervilhava em dias de vinho,rosas e cocaína, a noite era uma festa. Para dar mais brilho às pistas foram contratadas pessoas que conheciam quem era quem, quem tinha prestigio e poder para animar as noitadas que pareciam não ter fim. Era necessário ter muito conhecimento e principalmente ser amigo de Lauretta, Danusa Leão, Claude Amaral ou dos colunistas sociais para poder ter seu ingresso garantido. Sair nas colunas sociais era essencial.
Régine's photo by Alcyr Cavakanti all rights reserved
Rod Stewart no Régine's photo by Alcyr Cavalcanti all rights reserved
Rod Stewart evoluía na pista da boate Regine's ao som de Taj Mahal.   As rainhas da noite carioca evoluíam nas pistas, enquanto negócios eram fechados, uniões eram acertadas, casamentos eram desfeitos, futuros governantes surgiam na politica ao som pilotado por Careca, Dodõ, Ferrugem, Don Pepe, Amandio e outros DJs.

domingo, 16 de fevereiro de 2014

DIAS DE FOGO E DESTRUIÇÃO

Para que tudo mude, é necessário que tudo permaneça como está. Tommaso di Lampedusa, Il Gattopardo. Os dias de fogo e destruição continuam tendo como alvo preferencial, o péssimo sistema de transportes da cidade do Rio de Janeiro. Ônibus incendiados, trens e barcas destruídos, em um ciclo de violência que parece não ter fim. Desde 1987, durante governo Moreira Franco apoiado em um enorme arco de alianças, inclusive partidos de esquerda que dias de fogo e destruição tem se repetido ano após ano. Eu trabalhava na Tribuna da Imprensa, o combativo diário da Rua do Lavradio, após ter saído de O Globo e ter tido uma breve passagem pela Isto É. A equipe era mínima mas deu conta do recado, as fotos de Marco Vinício, Jorge Reis e minhas foram bem aproveitadas. Além do Primeiro Caderno ilustrei a capa do segundo caderno o Tribuna Bis, que deu como manchete "A praça de Guerra" "
Eu trabalhei motivado e porque não dizer inspirado. o dono do jornal Hélio Fernandes Filho, Helinho meu grande amigo, preencheu um cheque polpudo para que eu tivesse motivação, e corresse para a pancadaria. Bons tempos, grana é um bom estimulo. Da década de oitenta aos dias de hoje, pouca coisa ou nada mudou, as empresas de ônibus continuam dando as ordens e os governantes apenas assinam em baixo, apesar dos protestos populares. Fica uma pergunta: Até quando?

sábado, 8 de fevereiro de 2014

MARCELLO MASTROIANNI

IL BELO ANTONIO Marcello Mastroianni era o mais famoso ator do século e em muitas ocasiões alter ego de Federico Fellini. Protagonista de filmes memoráveis, em papeis marcantes seja como o Belo Antônio seja como o repórter a cata de celebridades em La Dolce Vita. Marcello veio ao Brasil para fazer dupla com Sonia Braga fazendo o turco Nacibe da obra de Jorge Amado. Paraty vivia dias de gloria em uma festa permanente durante as filmagens de Gabriela. Eu trabalhava no Globo, que não demonstrava nenhum interesse em acompanhar as filmagens, o jornal preferia o bangue bangue dos morros cariocas, ou as festinhas da Hilde. Insatisfeito com a medíocre pauta resolvi dar uma de paparazzi e fui até Paraty ao estilo caçador de imagens, por minha conta e risco. Troquei de horário com um amigo, pedi um dia de folga e parti para a Costa Verde para registrar in loco as cenas de Gabriela. Sabia que o charme de Mastroianni iria atrair a mulherada.
a socialite Irene Singery e Marcello foto Alcyr Cavalcanti Fui duas vezes até Paraty. e uma das vezes acompanhado de Marlene na longa travessia até a cidade histórica. O filme veio na trilha da novela que tinha Sonia Braga como personagem.
O problema ere onde publicar, visto que o Globão não tinha interesse, e não iria acrescentar nenhum centavo ao meu parco salário. Fui até sucursal do Estado de São Paulo chefiada pelo Airton Baffa que gostou muito das imagens e publicou no Jornal da Tarde. Vendi também para a Ultima Hora (com nome suposto) que publicou na coluna do inolvidável Reinaldo Loy a briga entre Bruno Barreto (diretor) e o diretor de fotografia Carlo di Palma. Enfim levantei algum numerário para compensar o esforço.

domingo, 29 de setembro de 2013

FUTEBOL, PAIXÃO NACIONAL

Imagens marcantes de um futebol cinco vezes campeão O futebol é uma paixão mundial, capaz de atrair milhões de fanáticos torcedores, que deixam tudo de lado para reverenciar os deuses do estádio. O futebol é um esporte, um jogo de sorte ou de azar, um negócio, um fator politico e também uma religião. Para homenagear os deuses do futebol a Associação de Repórteres Fotográficos e Cinematográficos-ARFOC realiza uma exposição fotográfica na Câmara de Vereadores de Niterói durante o IV Encontro Estadual de Assessores de Imprensa com imagens marcantes da seleção brasileira, a única seleção de futebol a participar de todas as copas, tendo vencido em 1958, 1962,1970,1994, 2002.
Alcyr Cavalcanti diretor de jornalismo da ABI em foto de Sergio Gomes Participam da mostra Alberto Ferreira, Alaor Filho, Alcyr Cavalcanti, Aníbal Philot, Cesar Loureiro, Fabio Motta, Fernando Maia,Ivo Gonzalez, Julio Guimarães,Orlando Abrunhosa com imagens definitivas feitas durante diversas copas do mundo. A curadoria é de Alcyr Cavalcanti e as fotografias fazem parte do acervo da associação. A exposição fotográfica faz parte da programação do IV Encontro de Assessorias de Imprensa organizado pelos jornalistas Continentino Porto presidente do SJPERJ e Mario de Sousa diretor de eventos reuniu um grande publico que lotou o plenário da Câmara de Vereadores de Niterói.

domingo, 25 de agosto de 2013

A FOTOGRAFIA EM 2013

Manifestações, protestos, pancadaria, contra tudo e contra todos atualizado em 17/10/2013. O povo saiu às ruas para protestar contra um governo que deu as costas para o povo. O preço abusivo das passagens de um sistema de transportes caótico, extremamente ineficiente foi a gota d'água. Os repórteres-fotográficos tem procurado registrar este momento histórico apesar da fúria indiscriminada de uma policia despreparada, que não compreende que também é usada e explorada pelos governantes. A violência policial atingiu profissionais que arriscam suas vidas para cumprir fielmente sua função, deixando um rastro de destruição e sequelas irreparáveis.
A proporção: dez policiais para cada manifestante
Bombas, balas de borracha, pancadaria pra todo lado foi a resposta do aparelho de estado. De inicio as manifestações eram pacíficas, pelo passe livre. Aos poucos o descontentamento foi se generalizando. Os governantes de inicio perplexos, mostraram rara insensibilidade, procurando ignorar a voz rouca das ruas. Obras superfaturadas, o caso do "Novo Maracanã" uma beleza arquitetônica, mas com reajustes quase mensais de milhões de reais, levaram o povão a exigir das autoridades um "padrão FIFA" para transportes, saúde, educação, moradia, enfim melhorias para tudo que um governo que se diz democrático-popular prometeu e ainda não cumpriu.
Os professores do ensino fundamental cansados de serem explorados resolveram protestar, exigindo seus direitos. Há vários dias tentam sensibilizar dirigentes insensíveis, que preferem canalizar os bilhões de reais em distribuição para a "base aliada" e para um suposto choque de ordem. Fica uma pergunta: até quando o alcaide vai tapear a imensa população??
Aos poucos a paciência de uma população dita cordial conforme conceitos equivocados tem mostrado que não é um mero rebanho, a "massa amorfa" no sentido fascista que parece ser a tônica dos membros do executivo e do legislativo.

terça-feira, 30 de abril de 2013

OTÁVIO RIBEIRO, O REPÓRTER

A Última Façanha de Otávio Pena Branca, o mestre da noticia. Tive privilégio de conhecer Otávio Ribeiro em sua última grande reportagem :"A Desova do Taxi". Em minha longa trajetória convivi com a nata da reportagem policial, autênticos caçadores de noticias como Albeniza Garcia, Jarbas Domingues, Orlando Silva, José Argolo, José Monteiro e muitos outros que me ensinaram o ritmo certo da apuração em "zonas vermelhas". Com eles aprendi "aonde a banda toca" na hora certa, ou na hora errada, como entrar e principalmente a hora certa de sair. Com o mestre Pena Branca partilhei sua última empreitada no mais autêntico jornalismo de investigação do "maior repórter policial do mundo" segundo a bíblia do jornalismo de combate a revista francesa Actuel. Ribeiro era destaque na capa em reportagem feita em Paris duelando com a nata da reportagem mundial. Ele exibia a revista como um troféu fazendo questão de mostrá-la a todos e dizia com um sorriso sacana: "Engoli todos eles". Estávamos no final dos anos 80, mais precisamente em fevereiro de 1987. Eu trabalhava na Tribuna da Imprensa o combativo jornal da Rua do Lavradio. Havia saído do Globo depois de breve passagem pela Isto é, com muita vontade de fazer a melhor imagem da melhor noticia. Conhecia Ribeiro apenas de vista, quando ele aparecia na revista. Fui designado pela direção da Tribuna para acompanha-lo em importante matéria exclusiva. Após as apresentações, ele pediu para ir com ele até o bar mais próximo, um sórdido pé-sujo ao lado do jornal. ele perguntou onde eu havia trabalhado e disse que deveríamos ir até o local da reportagem para fazer um levantamento da área. "Alcyr, quero ver se você tem medo, porque você vai comigo até um local muito perigoso na Baixada fazer um reconhecimento para ver se meus informantes estão dizendo a verdade". Respondi de pronto: "Oi Otavio tenho medo, é claro, mas pode ficar tranquilo, eu faço as fotos, deixa comigo, você faz o teu serviço, eu faço o meu" Ele sorriu de modo enigmático. Dias depois fomos até o local da desova verificar in loco. O local era totalmente deserto, ficava atrás de uma pedreira. Não passava ninguém, nem de carro, nem a cavalo, a pé muito menos. Nossa viatura era um fusca caindo aos pedaços, pilotado por um típico malandro carioca, boa praça mas irresponsável de pai e mãe. Se houvesse (e não havia) uma rota de fuga, com aquela preciosidade fugir nem pensar, provavelmente seríamos desovados. No meio da empreitada começa um ruído estranho, era a hora do terror, calmamente o Pena pergunta para mim: "Alcyr você usa arma?", respondi: "não, minha arma é essa aqui" e apontei a câmera. Ele riu e mostrou um revolver 38mm cano longo enferrujado, que mais parecia uma peça de museu. A essa altura o motorista foi para dentro do possante tomar um gole de seu inseparável combustível, e arrematou: "Meu possante pode ficar a seco, mas eu não posso ficar com a garganta seca". E sorveu alguns goles da preciosa (para ele) cachaça. Não entendi nada o local era deserto sim, poderia haver uma salva de canhões que ninguém saberia, mas tive um pensamento sinistro, será que iria assistir a uma matança, ao vivo e a cores? No dia marcado uma fria madrugada de um sábado para domingo para o ponto de encontro o Trevo das Margaridas às cinco da madrugada. O o nobre motorista escalado para a missão não apareceu. Motivo simples, havia bebido todas com o dinheiro que o jornal havia deixado em minhas mãos para dividir com o piloto, e eu havia partilhado um dia antes. Foi um erro capital, ele não conseguiu acordar. Marlene minha querida companheira mãe de minhas filhas, não podia me deixar na mão, resignadamente mas cuspindo marimbondos, "botando fogo pelas ventas" resolveu após acalorado diálogo me levar até o local do crime, mesmo sem ter a mínima noção do trajeto.
Otávio, segundo à esquerda orienta os trabalhos foto Alcyr Cavalcanti.
O local combinado parecia um happening à maneira das obras do PAC em vésperas de eleição, retroescavadeiras e dezenas de pessoas foram mobilizadas, comandadas por uma equipe da Delegacia que apurava os crimes na Baixada Fluminense, o responsável era o delegado Luiz Gonzaga. Mas quando iria começar a escavação o dono das máquinas quis ir embora, temendo as consequências. Após muitas negociações ele tremendo de medo alegava que as máquinas estavam com defeito, e resolveu abandonar a área dando ordens para os operários recolherem as retro. Aí entra em cena toda a paixão do maior de todos os repórteres. Como que possuído por uma entidade Otávio pula em cima do capô do carro impedindo o motorista em avançar. Em seguida arranca o dono das retroescavadeiras do interior do carro arrastando-o pela estrada e aos berros obriga a cumprir o combinado. Todos os presentes ficaram paralisados, eu também. Nunca tinha visto, nem nunca mais iria ver algo semelhante. De fato, Otávio dava a vida pela noticia. A matéria foi feita, o taxi foi retirado após horas e horas de escavação sob um sol inclemente de cinquenta graus da Baixada Fluminense, e publicada em destaque na Tribuna. A ação foi também acompanhada por equipe da TV Bandeirantes com o famoso repórter João Batista conhecido como JB. A revista Status publicou dias depois extensa reportagem com fotos de João Bittar.
delegado Luiz Gonzaga examina o taxi foto Alcyr Cavalcanti
Otávio Ribeiro o Pena Branca era de fato o melhor entre os melhores, muita coisa poderia ser escrita sobre ele, que se estivesse vivo poderia passar seus ensinamentos, sua malandragem para as futuras gerações de jovens repórteres que de fato estivessem em busca da verdade por detrás das aparências. Pena Branca faleceu meses depois vitimado por doença incurável.