terça-feira, 29 de novembro de 2011

VII Congresso de Jornalistas de Imagens


O VII Congresso Profissional de Jornalistas de Imagens realizado em Salvador durante os dias 25/11 e 27/11 teve como destaque a proteção ao trabalho de fotojornalistas e cinefotojornalistas em áreas de risco. Organizado pela ARFOC-Ba teve abertura solene dia 25/11 com palestra do secretário-geral da ARFOC-Rio Alcyr Cavalcanti sobre os problemas enfrentados pelos profissionais da imagem durante as invasões policiais em áreas segregadas. A morte do cinegrafista Gelson Domingos da TV Bandeirantes coloca em questão o velho dilema: registrar ou não as situações que se apresentam no dia a dia das grandes cidades , e que colocam aqueles que buscam a notícia sob risco de vida.
Algumas dúvidas ficam no ar: Porque Gelson usava um colete que não protegia seu corpo de projetéis de grande nivel de perfuração? Porque estava registrado como operador de câmera e não como repórter cimnematográfico? Essa e muitas outras dúvidas precisam ser esclarecidas para que sua morte não tenha sido em vão.

domingo, 27 de março de 2011

Visita de Obama e suas consequências


Visita de Barack Obama
A visita do presidente dos Estados Unidos faz parte de uma estratégia norte-americana para ampliar sua área de influência em toda América Latina, através de imposições sob a capa de acordos bilaterais.
O "Império" atravessa séria crise do capital, mais uma das crises cíclicas que pode abalar toda a economia global. A visita teve como foco principal o Brasil, que começa novo governo, com sua presidente Dilma Roussef. Na área diplomática a mudança de Amorim por Antonio Patriota (ou patriot) foi bem recebida no Departamento de Estado, no sentido de atenuar as relações diplomáticas Brasil X Estados Unidos desgastadas no governo Lula. Esperam os americanos do norte um "amaciamento"nas relações no sentido literal da máxima "O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil", ou seja a América para os americanos (do Norte).
Vai ser a colonização total.
Quem viver verá.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Protestos contra a visita de Obama






Protestos
O presidente dos Estados Unidos Barack Obama foi alvo de protestos durante sua visita ao Brasil. Apesar da proibição feita pelo ministro Luis Sérgio, falando em nome da presidente, inúmeros manifestantes fizeram protestos contra a política externa norte-americana. Na sexta feira 18 mais de duzentos manifestantes, seguiram em passeata desde a Candelária, em direção ao consulado norte-americano, que estava cercado por forte aparato policial. Os manifestantes fizeram discursos inflamados contra a política belicista, e o cerco feito para dar proteção ao prédio do consulado. Uma bomba de fabricação caseira e pedras foram atiradas em direção ao prédio,e a policia revidou com extrema violência, com bombas de gás lacrimogênio, de efeito moral e balas de borracha. Várias pessoas ficaram feridas, inclusive jornalistas e treze pessoas foram presas, inclusive um aluno do Colégio Pedro II.
Manifestações de protesto no domingo se espalharam por vários pontos da cidade, monitoradas em todo o tempo por um dos mais fortes aparatos policiais vistos em nossa cidade.
A grande manifestação de apoio ao presidente dos Estados Unidos que teria como palco um comício na Cinelândia, organizada por Cabral e Paes foi cancelada. As manifestações de apoio foram tímidas, e os protestos na Cinelândia foram muitos, embora pacíficos. A praça estava cercada por centenas de policiais, com apoio de blindados do Exército, pela cavalaria, além de atiradores de elite, espalhados pelos prédios da Cinelândia. Quem esperava assistir Obama de perto, teve de se contentar com a transmissão via TV de seu discurso dentro do Teatro Municipal.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Violência Urbana


Rocinha rua um: Foto de Alcyr Cavalcanti

A violência é um comportamento que causa dano a outra pessoa, ser vivo, ou mesmo objeto pelo uso excessivo da força. É o uso excessivo da força além do necessário, e deriva do latim violentia, ou seja, aplicação da força

Vivemos dias de violência que se manifesta de várias maneiras, ora pela guerra, tortura, fome, assassinato, preconceito e mesmo violação de direitos. É o desrespeito ao outro.

A atividade do fotojornalista pode apresentar dificuldades em localidades onde se faz a comercialização de mercadorias ilícitas ou mesmo criminalizadas. Sua presença em especial se estiver portando uma câmera será altamente indesejável. Uma das definições da fotografia é "escrever com a luz" e alguns autores como Paul Virílio e Susan Sontag vêem a presença do fotógrafo como ameaçadora, poderá "trazer à luz" seres que até por condição de seu oficio teriam que permanecer nas trevas. Sempre ocultos, agindo nas sombras. A fotografia produz uma imediata apreensão sensorial, e a visão é o sentido que nos faz adquirir mais conhecimentos. No caso da reportagem fotográfica o que irá conduzir a nossa reflexão é o conteúdo da foto, visando enfocar o fato jornalístico visando principalmente a informação com clareza. Para Milton Guran "foto boa é foto eficiente".

A fotografia também é uma forma de identificação e reconhecimento sendo usado em documentos, passaportes, carteiras de identidade. Na Comuna de Paris os revolucionários na euforia de uma efêmera vitória posaram para a posteridade por processos de captação de imagens. Foram derrotados, e dos mais de cem participantes que posaram nas barricadas de Paris, a maior parte foi identificada pela policia local. Quase todos foram executados.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

A Fotografia Como Documento Histórico

Collor sobe a rampa foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved

"Em um universo de imagens mudas que nada representam, nós lutamos por imagens que falam por si mesmas, que nos contam nossa história, nosso mundo tal qual ele é, sem filtro".
(Christian Gauffre)

Em época de conceitos pós-modernos a fotografia como documento histórico tem sofrido tentativas de descrédito em prol de uma suposta verdade, em nome das novas tecnologias. Criou-se um falso dilema que nos leva até milhares de séculos atrás ao discurso de Sócrates refutando as teses dos sofistas, os embusteiros da cultura helênica. São imposturas intelectuais para enganar a muitos na era da velocidade. Fala-se muito na rapidez da informação, na apuração ultra-rápida para suprir os espaços das "fábricas de notícias" em que se tornaram os jornais em quase todo o mundo. Tentam nos convencer que não devemos nos preocupar tanto com a exatidão da notícia, porque os jornais irão se transformar no dia seguinte em "papel pra embrulhar peixe". O parecer toma lugar do ser, é a tentativa da vitória do simulacro em novos tempos envelhecidos do século XXI. É o reino da apuração mal feita, da transmissão de dados a todo vapor, em "tempo real", um imediatismo a qualquer preço. Na era da velocidade nunca houve tanta informação, somos bombardeados a todo momento por uma enxurrada de notícias, mas em contrapartida a humanidade nunca esteve tão mal informada. O sociólogo e fotógrafo francês Jean Baudrillerd já havia verificado em sua análise sobre o excesso de informação em sua obra A Arte da Desaparição: "A desinformação vem da profusão da informação, de seu encantamento, de sua repetição em círculos, que cria um campo de percepção vazio".
As férias do presidente foto Alcyr Cavalcanti all rights reserved
A concentração da informação é um fenômeno mundial podendo levar a uma manipulação do noticiário. No Brasil quatro agências distribuem as notícias através das novas tecnologias:Reuters, France Presse, Associated Press e EFE, e seu noticiário pode não corresponder à verdade dos fatos sendo filtrado pelo interesse ocasional. A informação perde seu verdadeiro sentido, apenas informar.
Para Pierre Bourdieu o  fotojornalismo não é uma entidade abstrata, é um segmento do jornalismo que está inserido no campo da produção cultural. A cultura têm sido colocada intencionalmente em desuso, estando imersa na crise geral do capital que tem afetado a todos os países sem uma solução previsível, num efeito perverso da globalização. Os jornais estão perfeitamente inseridos na economia capitalista, não sendo mais dirigidos por jornalistas, mas por empresários que visam somente o lucro, e só pensam na relação custo-benefício em detrimento da transmissão de conhecimento. A decadência e a morte anunciada do Jornal do Brasil pode servir como exemplo.
As novas tecnologias têm como lado perverso a possibilidade da manipulação de imagens, falseando o que poderia se tornar um documento para a história, apresentando uma aparente verdade como um verdade irrefutável. O conteúdo de uma imagem jornalística não pode ser modificada, não se pode interferir na realidade, no factual. O fotojornalista é um formador de opinião que deve seguir fielmente os princípios da ética.

domingo, 8 de novembro de 2009

O F0T0JORNALISMO NÃO ACABOU

"Em um universo de imagens mudas que nada representam, nós lutamos por imagens que falam por si mesmas, que nos contam nossa história, nosso mundo tal qual ele é, sem filtro"
Christian Gauffre

HOMENAGEM A TODOS OS FOTOJORNALISTAS QUE PERSEGUEM A VERDADE POR DETRÁS DAS APARÊNCIAS
Remoção de Favelados Alcyr Cavalcanti all rights reserved

A QUEDA photo Alcyr Cavalcanti all rights reserved

O Fotojornalismo está vivo
O fotojornalismo está mais vivo do que nunca, apesar das pseudo-verdades repetidas ao infinito, que pela insistência tentam se transformar em verdades incontestáveis. A invasão de câmeras portáteis e celulares parece ter trasnformado a todos em fotojornalistas. Mas não é bem assim. A essência do bom fotojornalista é a documentação de fatos que não mais irão acontecer, do fenômeno fugidio, do flagrante único, do instante que não se repetirá. "Não fez a foto, então dançou" é a máxima do bom "caçador de imagens", que vive obcecado na procura da foto definitiva.
"Intuição e rapidez, mas sobretudo capacidade em antecipar o acontecimento para estar sempre no lugar certo na hora certa" são para a escritora Francesca Taroni as qualidades essenciais do bom fotojornalista.

O imediatismo próprio desses novos tempos envelhecidos do século XXI obriga os profissionais a uma apuração rápida "correndo contra o tempo", o que pode levar na maioria das vezes a uma abordagem superficial e mal feita. A abordagem superficial da foto reportagem pode levar à publicação de meras ilustrações totalmemte acessórias, meras ilustrações visuais. A análise feita por Pierre Bourdieu parece exata: "o jornalismo de um instrumento da democracia, se converte num instrumento da opressão simbólica". Nessa relação de forças a fotografia como notícia perde espaço para a cobertura da intimidade de celebridades e da vida de artistas, daí a profusão de revistas especializadas que fazem a alegria dos paparazzi.

Para Jean-François Leroy, diretor do Visa pour L'Image, o principal festival de fotojornalismo,em Perpignan, "O autêntico fotojornalismo está sendo cada vez menos usado pela grande imprensa, mas asseguro que nunca vai morrer porque sempre serão necessárias testemunhas (fotógrafos) sobre tudo o que se passa no mundo. Não é o fotojornalismo que está condenado. É a imprensa que não faz o seu trabalho "
violência urbana all rights reserved

Fica uma pergunta: "Essas imagens poderiam ser feitas por qualquer um?".

domingo, 7 de junho de 2009

Fotojornalismo no século XXI

O Fotojornalismo é uma das especialidades do jornalismo, certamente uma das mais importantes naturalmente vinculado aos sucessos e fracassos do jornalismo, não estando imune às suas crises. O jornalismo não é uma atividade abstrata, e sempre foi tratado como indústria, e portanto não poderia estar imune a mais uma das crises cíclicas do capital.
Na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro já tivemos mais de uma dezena de jornais diários. Muitos já fecharam suas portas no decorrer dos anos. Só para citar alguns, podemos falar do Correio da Manhã, Diário de Notícias, Última Hora, O Jornal , Diário Carioca jornais que marcaram época. A Última Hora do jornalista Samuel Wainer marcou em definitivo o jornalismo brasileiro quando viu a importância do registro por imagens, dando ênfase especial a seu departamento fotográfico. Samuel dava total autonomia a seu chefe de fotografia Roberto Maia que de fato funcionava como um editor. Seu Maia um profissional de caráter íntegro, extremamente disciplinado, formado nos quadros do marxismo leninismo, que aplicava sua disciplina com rigidez a seus "comandados", era adorado pelo grupo que o respeitavam e obedeciam suas ordens cegamente. Para muitos foi talvez o maior e melhor editor de fotografia que o Brasil conheceu.
Depois dele vieram Henri Ballot, Demócrito Bezerra, Paulo Reis e outros que marcaram em definitivo a moderna fotografia no Brasil. A equipe era de primeira linha e de fato suavam a camisa, e davam sangue pelo seu jornal. Samuel sabis a importância da imagem exposta nas milhares de bancas e pagava bem a seus jornalistas, valorizando a profissão.